Incondicionalmente Incompreendida

Sempre falaram que ela era esquisita, que parecia que usava drogas e praticava qualquer tipo de ato imoral.
Ela não era nada disso.
Ela era visceral ao mundo, como se fosse uma peça que estruturasse tudo e assim ela era capaz de sentir e ver cada pulsar de vida.
Podia sentir com seus pés descalços, as formigas que passavam ao seu lado carregando seus alimentos, a água que fluía no chão e que iria brotar em uma nascente. Ela era capaz de sentir odores de vida, de cada flor, cada perfume e da água da chuva. Previa um dia de sol, um dia de chuva e um dia nublado. Amava cada um deles.
Sentia o sabor das ervas, dos frutos e das raízes só de pensar nelas.
Seus olhos eram como lentes fotográficas, via cada movimento espontâneo, cada variação frugal de luz e todos esses sentidos apurados a transformava e a arrepiava de momento em momento.
O amor que ela sentia pela vida, pela natureza e pelas pessoas a tomava e equilibrava toda sua vida.
Se entregava a qualquer paixão, a qualquer carinho e a qualquer verdade. Porque toda e qualquer verdade era fugaz e portanto deveria ser sentida antes de sua transição. E são as mudanças que transformam a história e ela queria entender todas.
Só que o mundo nunca pulsou só coisas boas.
Mortes passionais, drogas abusivas, maldade, inveja, abuso, preconceito, nojo, amargura, guerra, assassinatos, crimes por crimes, abandonos e poluição. Tudo isso a afetava conforme foi sofrendo com essa energia. Já não podia respirar.
Ela não pode suportar.
Tudo que era belo, tudo que tinha valor morria lentamente.
Os animais eram tristemente mortos para consumo e desperdício.
O amor ia se acabando e no lugar entravam notas de papel desenhadas.
Ela não suportou.
Como uma mãe que não suporta a perda de um filho.
Preferiu deitar-se na terra e ali ficou até o fim.
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