Por pura covardia.

Adolescência época em que os amores são impossíveis ou por covardia ou por compromisso.
Ninguém entendia aqueles dois, pareciam inimigos, amigos, apaixonados, indiferentes ou apenas parceiros de jogos de cartas na escola.
Poucos sabiam que aquilo era amor reprimido. Eram covardes.
Ele namorava e ela era orgulhosa ou até correta demais para dizer com todas as letras sobre seus sentimentos.
Carolina era dona dos olhos mais lindos que já existiram e foi esses olhos que fizeram com que André se apaixonasse.
A paixão crescia pelas entrelinhas, por um olhar e pequenos gestos.
No final da aula caminhavam juntos de volta para casa, rindo, se provocando, dando passos cada vez mais lentos.
As vezes ela sem nenhuma esperança engatava um relacionamento e os dois não podiam mais se olhar. O ciúmes  dele era visceral.
Ninguém entendia porque os dois não se decidiam. Era pra ser assim.
Até que no final de uma tarde em um dos dias em que ele a levou para casa, ela esqueceu dentro do rádio da escola, seu cd favorito e quis voltar para buscar, antes que fosse impossível recuperá-lo.
_Vou ter que voltar e buscar meu cd. Até mais, mande um abraço para Gabi.
_Eu volto com você, a rua está muito vazia agora, pode ser perigoso.

Sempre existia uma boa desculpa para continuarem juntos. Só que esse caminho foi diferente e ela resolveu ficar calada.

_O que foi?
_Nada, estou cansada.
_Então senta no chão.
_Não, já estamos perto de casa.
_Senta!
_Não, você está louco?
_Vou te fazer sentar.
_Até parece!
_Duvida?
_Não vai!

Ele a agarrou e derrubou no chão. Os dois se olharam por um tempo, viram no fundo de seus olhos  que era impossível negar aquele amor .
Carolina não permitiu que acontecesse o beijo e disse:

_Não vou fazer isso. Pode ser que a gente nunca se beije, mas se acontecer tem que ser da maneira certa. Eu não vou ser a outra, então faça sua escolha.

Ninguém mais soube qual foi o futuro dessa paixão, mas uma coisa todos entenderam com aquele casal. Esperar demais para tomar uma decisão na hora certa, finais felizes podem se perder e ficar sem sentido.

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