Um dia após o outro - uma experiência real



Semana passada fui à uma hamburgueria com minha amiga, estacionamos o carro e um homem perguntou se podia olhar, ela disse que tudo bem.
Só que o estabelecimento estava fechado e logo saímos. Estávamos sem dinheiro e não conseguimos ajudar o moço.

 De certa forma,esse dia me marcou, porque se aprendi uma coisa com a vida, é que não me importa como ele usará o dinheiro, o que importa é fazer de um pequeno momento melhor, mesmo que mínimo. Muitos pensam diferente, entram na discussão do assistencialismo e tal. Só que eu não tenho hoje, infelizmente, como ajudar as pessoas nas ruas de uma maneira melhor, posso até estar reforçando algo negativo, mas penso que não. 
Pequenas alegrias às vezes podem evitar a ira de uma pessoa.

Voltando a história, duas semanas depois voltei à mesma lanchonete e lá estava ele. Perguntou-me novamente se poderia olhar o carro e eu disse que sim. Tranquei o carro, ele se afastou e de longe perguntou se eu iria a lanchonete, respondi  e apressei-me.
Fiz meu pedido que era para viagem e sem mais nem menos a última pergunta daquele homem me veio à cabeça.

“Você vai na lanchonete moça?”

Comecei a pensar sobre ele ali olhando os carros, vendo as pessoas entrar naquele novo estabelecimento, que por sinal é bem elitizado, ou como dizem:" gourmet". 
Sentindo o cheiro dos hambúrgueres, vendo as pessoas saindo felizes e satisfeitas.

Nem sei se ele teria “coragem” de entrar ali, mesmo que com dinheiro para comprar um daqueles lanches. Não conheço o dono do estabelecimento, mas dependendo de quem for, pode o trata-lo mal.
Dessa vez não iria dar moedas para ele, senti que se comprasse um lanche e um suco faria melhor.
Pedi para que a garçonete acrescentasse mais um lanche no pedido e quando ficou pronto estava ansiosa para entregar a ele.
Chamei-o e falei que não tinha dinheiro, mas que tinha comprado um lanche. Ele me agradeceu sem muita cerimonia.
Fiquei intrigada, será que pisei na bola? Será que, de novo, tinha quisto fazer um bem desnecessário? Porque às vezes ele preferiria o dinheiro.
Mais a frente tinha duas meninas jovens que me viram entregar o lanche ao homem e chamaram-no. Elas entregaram uma garrafa de Campari, quase que pela metade.
Fiquei olhando do retrovisor qual seria a reação dele.
Ele colocou o lanche e o suco ao lado de suas coisas, com a garrafa na mão e bem feliz foi mostrar ao vigia noturno o que tinha acabado de ganhar. Achei graça, pensei que aquela seria a resposta das minhas perguntas, mas logo depois ele fez um sinal, colocando as mãos na barriga, dizendo que ia comer um lanche.
Aí fiquei mais satisfeita, claro! E até aliviada.
O que eu aprendi com tudo isso? Muitas coisas:
A primeira delas é que nada como um dia após o outro, às vezes não temos nada em um dia e fartura no outro.
A segunda é que  sempre, sempre é muito bom fazer alguém feliz, mesmo que com tão pouco. E olha que temos tantos “poucos” a oferecer.
E a terceira e mais valiosa é que tenho que sempre agradecer pelo que tenho e assim me tornar com o tempo uma pessoa melhor.
Às vezes esquecemos o quanto somos privilegiados. E aí a vida fica sem graça. Quando estamos em contato com o bem e podemos proporcionar algo bom a alguém, lembramo-nos disso.

Você pode achar que quando está ajudando uma pessoa, só você tem a oferecer e isso é uma grande ilusão. Sempre há partilha, é só você prestar bem atenção que entenderá. 
Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Quando fui insuficiente e suficiente fui

HUMILDADE ...

Amor fechado