Minhas mãos, reflexo de uma vida.

Meu rosto pode mostrar menos idade, mas minhas mãos...
Minhas mãos me entregam assim como cúmplices trapaceiam para diminuir a pena.
Minhas mãos são cúmplices.
De tudo que plantei, colhi e fiz.
Tudo que segurei, fixei e deixei ir.

Minhas mãos sempre foram contra a maré.
A maré do lucro, da indiferença.
Meu peito e minha boca queriam gritar.
Mas eu vi que gritar iria ferir meus ouvidos.
Porque as pessoas estão simplesmente cegas
com suas mortes e arrogâncias.

Elas matam crianças porque o mundo está errado.
Se fecham porque olhar pro lado pesa.
Excluem pela cor da pele.
Excluem pelo amar.

Minhas mãos aguentaram todo esse peso.
Enquanto trabalhei e nada falei.
Nada falei.
e continuo não falando.

Mas eu sei sorrir.
Eu sorri tanto, apesar da tristeza que vejo.
Eu sorri porque fiz!
Porque aprendi.
E como aprendi.

Ganhei minha medalha humana.
E ouvi, só ouvi.
Mas vale um educador do que um juiz.

E temos muitos juízes por aí.

Mas se por um acaso do destino um jovem perguntar sobre minhas ideias.
Ei de falar.
E se ele perguntar como aprendi a sorrir.
Ei de ensinar.

E se ele me perguntar porque nunca falei.
Direi:
Minhas mãos estavam cansadas.


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