Uma carta de despedida (aprendendo a dizer adeus)




Vivem com medo de morrer e pouco sabem que viver não é acumular, mas soprar vida.
Sabemos muito pouco sobre o dia que nascemos e tão pouco o dia que vamos morrer.
Por isso escrevo essa carta de despedida para que um dia vocês possam ler
A vida é cheia de mistério, nascer pode parecer uma dádiva, mas lhe digo as vezes pode ser tão triste nascer e sobreviver. 
Não precisamos esperar a morte, mas entende-la como deve ser. 
Só assim não vamos enlouquecer quando um amor se vai como o entardecer.

Morrer me parece o cair da tarde.
A luz vai se apagando em forma de infinito.
E quando o desenho se completa, se apaga 
Se apaga para uns, mas para mim mergulha
Em uma imensidão sem fim. 

Pensar na morte é aprender a ouvir
O que a vida tem para me dizer
O que tem para me pedir.

Os pássaros pedem árvores.
As árvores pedem luz.
A luz pede a noite. 
A noite a lua. 

De repente viver é mais que viajar, ter fortunas e me destacar.
Viver se torna primeiramente amar cada pedacinho do meu corpo.
Me olhar no espelho e de fato me ver e ouvir.

Ver como minhas mãos são macias.
Ver o brilho que ainda tenho nos olhos.
Sentir o gosto de meus lábios e o formato dos meus dentes.
Perceber como me destaco pela minha manchinha 
E como meus cabelos se comportam com a breve brisa que sopra na minha janela.

Brisa de vida.
Percebo como tudo foi feito pra meu conforto.
O oxigênio que respiro e preenche meus pulmões
As frutas frescas à mesa 
O café cheirando manhã. 
As rosas mostrando como tudo pode ser mais bonito e perfumado.
O alecrim na horta lembrando que a vida pode ter mais sabor

O gosto da comida é meu eterno agradecer
E o céu é a coisa mais linda que já pude ver.

Caminhar é alegria de poder explorar.
Explorar meu ninho, explorar meu lar.
Meu lar que sempre dirá muito sobre mim,

No dia que eu me for, 
A saudade estará aqui.
Não quero ter desculpas sem pedir.
Ou perdões sem doar.
Afinal não quero remorsos, quero saudades livres.


A posição e a bagunça das minhas roupas.
Os últimos lugares que estive e que passei minhas mãos.
O calor do meu corpo estará estocado na minha cama.
E o travesseiro com o cheiro dos meus cabelos.

Meus filhos deixarão minha ultima marca no mundo.
Cada um com um detalhe do meu rosto e personalidade.
Os amigos dirão muito sobre mim
O quanto eu era ranzinza, louca ou tímida.

Até na morte tem muito do amor
O amor que guardaram para mim 
E precisarão expressar em lágrimas ou silêncio. 

Pensar na morte é então querer mais viver.
Viver o amor.
O amor que talvez não reforcei 
O amor que não doei
O amor que sufoquei.

Todos os dias então preciso pensar 
Que amar é a maneira de se viver.
É me marcar no mundo é marcar você.
E transformar tudo em saudade.
E a saudade é seguir os melhores passos 
Para se encontrar.

Para ir em paz um dia 
E dizer que vivi o amor
E fui sem desespero
Com dever cumprido
Que é ser feliz fazendo o outro feliz 
Pensar a morte é  viver a vida
É simplificar.

E mais que tudo é saber da dor
Sentir a dor para viver 
Viver melhor
Viver humano! 
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