Eu fico

O vento passa pelos vãos dos meus dedos
Olho para baixo e a sensação fria
Me faz lembrar que estou andando sozinha
Nem sempre o vento me corta com a friagem
De repente parece que até ele sente pena de mim
Quando acaricia meu cabelos.
Meu coração compadece
E uma lágrima morna é derramada em meu rosto
Dizendo-me o quão frágil eu ainda sou
Mesmo com toda armadura que tive de vestir frente a vida.
O pouco que sorri me trouxe algum sentido
Mas eu nunca aprendi a sorrir com liberdade
Ou talvez tenha desaprendido

Não importa quanto caminho
Não importa o quanto me desdobro
Nunca nada estará bom
Nunca satisfará ninguem

Eu sinto um mundo diferente
Eu vejo algo a mais 
Mas insistem em me atrasar 
Me desguiar para meu destino que é real

Eu sou como um soldado
Guiado para estar sempre em guarda
E o desprezo é meu pagamento
A culpa que não tem sequer endereço
Me algema a essa vida 

Cheia de ingratidão
Quem me prende?
Talvez sejam eles
Mas pensando bem
Talvez seja eu mesma e a minha falta de amor por mim

Ou talvez seja eu mesma
Com muito amor por eles 
Quem são eles?
O mundo que me obriga ser quem eu não sou.
Mas fico, 
Por amor.
E aceito ser chamada por aquilo que não sou 
Mas eu fico
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