Uma vida severina, que o carrega mesmo assim.

Minha mente está apagada
Apagada, magoada.
Não basta toda a matança 
Sangrenta, desajeitada.
A falta de respeito com o ambiente
Com os animais, vacas, coelhos e até serpente
Agora querem matar gente
Que nem nasceu para se proteger.

Eu não sou machista
Não sou racista
Não sou polícia
Não sou ladrão
Não sou senso comum 
Não sou incomum.

Indiferente de quem eu seja
Meu ventre vazio 
Me pertence.
Meu coração vazio me pertence
Minhas mãos vazias me pertencem
Meus cabelos me pertencem.
Minha boca, meus dedos,
Meus olhos me pertencem.
Mas, alguém que um dia esteve dentro de mim
Nunca me pertenceu.
E não pertencerá
Afinal amar não é ter posse.
Porque ter poder sobre algo
É ser senhor. 
E eu sou senhora de mim


Falam de células
Justificam a dor.
Nada podem provar.
Não sentem com o coração
E nem com os olhos
O sangrar.

Falam sem ver.
Falam por falar
Porque quem já sentiu essa dor
A dor de abortar
Traz consigo uma marca
Uma manhã que não amanheceu.
E não amanhecerá.

Não quero o mal de quem fez, 
Errou sem pensar
Quero plantar o amar
O caminhar
O tratamento
Para todo momento.
Mas não posso legalizar
Descriminalizar
Aquilo que vai matar
O choro de um nascer
E do renascer 
De uma mulher

Julguem-me
Nãos estou julgando
Estou apenas chorando
Lágrimas de um mundo
Que perde crianças vivas
E também aquelas em plena formação

Onde é que mora este coração?
A cabeça o partiu com a razão.
A razão que se suja
De sangue.
De célula
De um amor que não se deixou
Experienciar. 
Minhas lágrimas à vocês
Iluminados que se foram
Antes mesmo de poderem chegar.

Podem falar que é fácil sentir
Quando não se tem problemas.
Eu só sinto.
Que estão criando outro.
Ainda maior.
Eu falo de amor,
e o amor não busca seus próprios interesses.
E dentro de um ventre
Há amor, mesmo que você o recuse.
A forma mais pura de amor.


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