O fim do meu entardecer

Não preciso temer
Por aquilo que há de doer 
No íntimo de meus segredos
Que escandaliza meus medos
Que me torna efêmero, menor que um rochedo
Mas alivia minha alma
Que pode voar, assim calma.

A morte é silenciosa
E silencia sem clemência, minuciosa
Criteriosa, ansiosa, arguciosa, vaidosa, impetuosa.
Odiosa, maliciosa, audaciosa, mas valiosa

O que seria da vida sem a morte
Por sorte
Muitos vivem para sorrir
Dar exemplo e colorir
O cinza que toma conta do porvir

Não devemos temer a morte
Muito menos deixar de saber que ela existe
Mesmo que você fique todo triste
Lidar com a realidade
Faz você ter vontade
De viver feliz
De não ter só uma vidinha
De gentinha infeliz.
O que você fará, jovem aprendiz?
Para melhorar seu respirar, seu viver, seu cantar?
Sem mágoa, sem trava para o seu caminhar.

Eu não temo a morte
Eu sei que ela chegará
Sobre mim triunfará
Diante da minha fragilidade

Mas eu tenho é muita vontade
Correr dela, por muito tempo
Como os pássaros que se escondem do vento

Mas eu sei que ela chegará
E por melhor que eu possa estar
Não posso me enganar
Vai doer
Vou sofrer
Mas será o fim da profunda dor do meu ser.
Meu cair de tarde, meu entardecer.
Meu último suspiro, meu envelhecer
Meu fim, meu início
Meu adeus.
Minha eternidade.


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